Número total de visualizações de páginas

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Amizade

Para além do pilar fundamental da sociedade, a que já aludi em post anterior, que é a família, a outra trave mestra da vida de qualquer ser humano é a amizade. É ela que preenche os espaços vazios, que nos vão aparecendo pela frente, ao longo da vida. Por vezes transforma-se num sentimento mais profundo e dá lugar ao amor, noutras acontece precisamente o oposto. São os amigos que dão cor à nossa existência. No sistema de reciprocidade que é a sua estrutura essencial, cabe a cada um, aparecer sempre, que possível em momentos de aflição, sejam eles de dor, de desilusão, ou os que possam afectar o seu estado natural, e vice versa. Mas a um amigo não compete só apoiar as acções, feitas pelo outro. Bem pelo contrário é imprescindível, chamar-lhe a atenção, quando o vemos caminhar por caminhos tortuosos, mesmo que saibamos, que essa atitude possa vir a prejudicar essa amizade. Aguardaremos então, que ele reflicta, e ao atribuir-nos pelo menos alguma razão, nos volte a presentear com esse sentimento tão genuíno.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Obsessão

Quando as pessoas sublimam as suas frustrações, sejam das mais variadas espécies e feitios, transformam a realidade em cegueira. Bloqueiam a lucidez, a racionalidade, julgando ter resolvido todas as suas angústias existenciais. Por mais que se lhes chame a atenção para tal facto, não conseguem enxergar a perda da sua própria auto estima, uma vez que são incapazes de se reconhecerem a si próprias. Sendo os donos da razão, embora única, agem da mesma forma, que tanto criticam nos outros, e por ,vezes bem pior. Se a obsessão se tornar duradoura, é pior que o outro sentimento semelhante - a paixão - e pode vir a tornar-se uma doença, com elevado grau de perigosidade, para o próprio, claro está. O que as distingue, pelo menos para mim, é que esta se vai dissolvendo com o tempo, esfumando-se, na grande maioria dos casos. Sem aludir à passagem, que muitas vezes acontece, da paixão se tornar obsessão. E aí, acaba por transformar-se num caso perdido.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Defeitos e Qualidades

A tendência em nós inscrita, portanto natural, conduz-nos a ver só os defeitos nos outros. As qualidades, essas, são exclusivamente nossas. Não existe o ponto de equilíbrio. Na minha modesta opinião trata-se de uma visão perfeitamente errada.Penso mesmo, que todos nascemos com os mesmos defeitos e qualidades. Nuns, as qualidades são mais numerosas, noutros são os defeitos. Tem tudo a ver, com a experiência decorrente da nossa vida, desde a mais tenra idade. Alguns deles poderão aparecer mais tarde, ou nunca ! Depende da influência dos mais diversos factores, que os faz vir à tona. O procedimento a tomar, deverá sempre passar, por não nos esquecermos desta ideia, tentando vislumbrar as reacções dos outros, como se fosse o procedimento, que nós iríamos assumir.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Família

A família sempre foi o principal pilar de qualquer sociedade, que se preze. Para mim em particular foi, e é a meta mais ambicionada, aquilo que nunca troquei por nada, sacrificando até a minha carreira profissional e académica. Tanta gente em busca do "euromilhões" ,e ele, aqui tão perto. Felizmente, tive a sorte de viver em famílias ( antes e depois do casamento ), sempre unidas, com naturais divergências, todavia fácilmente ultrapassáveis. O fio condutor desta harmonia resumiu-se tão só, a aparecer sempre um de nós,quando alguém precisasse, nas mais variadas circunstâncias. Entristece-me assistir, nos dias que passam, ao esquecimento por meus semelhantes, deste valor essencial. Tornou-se viral a desagregação continuada e persistente, dos outros pilares, que vão entroncar na árvore familiar. Refiro-me ao casamento, à educação, à solidariedade, ao carinho pelos mais idosos,à fraternidade, etc. Deveríamos neste aspecto voltar com a mente à retaguarda ( não, não estou a vincar o passado, que quer se queira ou não, já desapareceu e não volta ), e fazer ressuscitar ideias que, pelo que se deduz, seriam bem vindas. Em véspera de Natal não me foi possível, evitar esta reflexão !

domingo, 22 de dezembro de 2013

O Bem e o Mal

A linha que separa ( não,não é a do anúncio! ), o bem do mal,é inacreditávelmemte ténue. Depende da perspectiva, do sentimento, e por vezes do interesse de cada um. É, por consequência, muito relativa. O mesmo acontecimento pode ser bom, para uns, mas mau para outros. Existe ainda o paradoxo, de ao praticar-se subjectiva e objectivamente qualquer um deles, em simultâneo aparecer o outro, como as duas faces da moeda. Veja-se por exemplo, o caso da escolha de um candidato para determinada função, que no momento em que é feita, é um bem para o eleito e indubitávelmente um mal, para os preteridos. Esta distinção, ao ter tantos vectores a considerar, torna-se num verdadeiro emaranhado de fios, de difícil destrinça, nunca se sabendo em qual dos lados nos situamos.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Separação de Águas

Quando se analisa a culpa dos dois intervenientes num divórcio, deve-se, sempre, ter em conta, que, para quem for exterior à relação, a percentagem se tem de cifrar na metade ( 50/50 ),e nunca de outra maneira. E porquê, questiona-se ? As origens dessa situação revestem-se de tantos e tão variados factores, de que só os parceiros conhecem, através do que por eles foi vivido. Os detalhes pertencem-lhes por inteiro. Conscientemente, ninguém consegue saber, qual dos dois tem mais culpa. Sendo assim, quem por fora se situa, deve abster-se de tornar esta resolução mais difícil. Já basta ser complicada para ambos! Após o seu desfecho é costume, infelizmente, pender para um dos lados, por motivos diversos, ligados à interpretação, que de tal facto cada um tem. Do meu ponto de vista trata-se de um erro colossal, que dá origem a distanciações inúteis entre pessoas, sacrificando-se amizades e afectos, que deveriam permanecer. Esta consequência deveria ter tratamento equivalente ao que sucede legalmente com o casamento, e que a grande maioria das pessoas desconhece ou ignora, de que o seu rompimento, não extingue as relações de parentesco até aí existentes. Esta é a tal " separação de águas ", que dá título a esta crónica. Para findar com um exemplo paradigmático, desta minha análise, só pergunto se alguém é capaz de determinar quais são as águas de um rio, ou do mar, na confluência de ambos ?

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Verdade

Será que é verdade, que vamos falar da verdade ? Ela exprime-se como um conceito, ou a ideia do que corresponde à realidade, de tal forma, que não suscite a mínima dúvida. Terá só uma face, ou pelo contrário várias ? Poderá ser parcelar, ou deverá ser una e inequívoca ? Para a resposta a estas, e porventura outras, que possam vir a talhe de foice, lembro-me sempre daquela, que é para mim a mais bem escrita peça de teatro - " Para cada um a sua verdade ", de Luigi Pirandello. Nela várias personagens apresentam, díspares versões do crime a que assistiram. O mais impressionante acontece, quando na análise das versões tão diversificadas, se conclui, que todas elas se encaixam umas nas outras, de forma a formar um todo- a verdadeira verdade. É esta a razão fulcral das perguntas acima formuladas. Devemos ter sempre isto em conta, ao analisarmos as múltiplas situações, em que permanentemente nos encontramos envolvidos, e se não puder ser a " quente ", que o seja através da auto crítica, voltando ao ponto de retorno. Para concluir, o intuito de a atingir, só se consegue, pensando, que a verdade não é só nossa, contando também com a verdade dos outros, a fim de que se possa chegar ao todo.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Absoluto

Se o absoluto existisse na prática corrente, dizendo de outra maneira, fosse uma realidade, a evolução humana não teria sido possível. É precisamente através da negação do absoluto, que tudo se transforma, se desenvolve. Teria sido possível ultrapassar a ideia convicta, e até aí insofismável de que a terra era plana e não redonda, como o realmente é ? Este é simplesmente um exemplo de como não se tem a certeza total da maioria das noções, acções, enfim da actividade humana e da natureza, nas suas múltiplas e complexas variantes. Tenho de reconhecer no entanto, que esta minha posição se aplica mais no que diz respeito ao pensamento, à intelectualidade, como se queira. Quanto à componente física, já se torna mais discutível. O ditado popular " desta água não beberei ", serve perfeitamente de um bom ponto de partida. Dizemos, por exemplo, que sou justo, quando deveríamos dizer procuro ser justo; afirmamos ser verdadeiros, em vez de tentamos ser verdadeiros, e tantas outras certezas absolutas. Para concluir, exponho a minha convicção de que o absoluto não passa de um simples conceito ideal, e nada mais do que isso.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pormenores

Os pequenos pormenores são, como faz parte do meu curto registo biográfico, para mim os mais importantes, porque eles definem o comportamento dos indivíduos nas variadas situações, com que nos deparamos. Não são alcançáveis pela maioria das pessoas os pequenos detalhes, que se vão produzindo com as acções do dia a dia. Não é, no entanto, minha pretensão ser mais do que os outros! Grande parte das pessoas não lhes presta atenção por serem distraídas, estarem demasiado ocupadas com os seus afazeres, etc. Nos grandes pormenores quase todos reparam, uma vez que são evidentes. Daí a minha preferência pelos menos visíveis. São eles que ajudam a definir o carácter da personalidade de cada um. Através deles é que se distingue o comportamento correcto, ou a sua falta. Detalhes evidenciados no tratamento de múltiplas situações, como o carinho por pessoas mais velhas; pela simples lembrança do aniversário; pela ternura de oferecer uma flor às senhoras; pelo sorriso que dedica a uma criança; e por aí fora. Lembrem-se que eles podem encher de alegria um coração carente de qualquer gesto, que o aqueça. Os grandes pormenores tornam-se despidos de significado, devido à sua frieza, à sua objectividade, face à enorme fogueira, carregadora de emoções.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Liberdade

O que é ser livre? Livre de quê ? De tudo,de todos e de nada ? Não estaremos sempre amarrados a todas as nossas decisões e respectivas consequências ? Seremos nós que escolhemos o nosso destino, ou ele, com as vielas, com que nos presenteia, que nos guia para um rumo por ele escolhido ? Não conseguimos atingir nunca o arquétipo da liberdade, isto é a liberdade pura, sem qualquer tipo de constrangimento, de limitação. Aparece sempre, mais tarde ou mais cedo, qualquer acontecimento que se opõe à concretização desse objectivo. Não será essa ânsia, esse desespero, que fará com que os indivíduos procurem, ao não conseguirem atingi-la de uma forma natural, o recurso ao álcool, às drogas, a fim de que através do seu efeito se possa aproximar desse desejo? Por outras palavras, se não se a atinge de forma consciente, arranja-se a alternativa de lhe tocar através do inconsciente, quando se parte para uma zona sem responsabilidade, sem regras. Na minha modesta opinião a liberdade pura, sem a mínima limitação só pode existir num único lugar - o nosso pensamento. Ele não é legível por ninguém, até ver. Pode estar-se a dizer uma coisa e pensar ao mesmo tempo, exactamente o oposto. Aí,sim, impera a liberdade !

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Aparências

Lá diz o ditado que " as aparências iludem ". Nos dias de hoje ele atingiu uma verdadeira progressão geométrica. O pensamento contemporâneo levou as pessoas a viverem numa situação irreal. O mais importante não é, o que se é, simplesmente o que se aparenta. É obrigatório, imprescindível possuir aquilo que os círculos sociais possuem, mesmo que fiquemos empenhados até à medula. E a situação mais se complica, quando não se sabe refrear a fúria consumista dos descendentes. O vizinho comprou um carro topo de gama, e lá vem outro desvario para engrossar a dívida, mesmo que fiquemos a dever o condomínio, não tenhamos dinheiro para o sustentar, e por aí fora. A única prioridade é manter o estatuto social, subir a qualquer preço com o intuito de atingir um lugar, em vez de ser ao sol, junto da elite social, mediática, ou outra que se torne moda. Penetra-se desta inusitada forma no lado lunar ( obrigado Rui Veloso ), onde não se existe, onde nasce a escuridão da aparência. Gerará ela alguma ponta de felicidade? Não, mas o que realmente importa é o sucesso social, mesmo que posteriormente se tenha de rastejar na lama.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ética

Fez parte da minha aprendizagem e das pessoas da minha geração, o conceito de "ética". Infelizmente foi-se perdendo o seu conteúdo e significado, e com isso as relações, que temos com todos e com cada um, ficaram mais débeis. Antigamente os diversos acordos e mesmo contratos feitos entre as pessoas, não necessitavam de ser reduzidos a escrito para se tornarem válidos. Apenas se requeria a palavra de honra! Apesar de alguns não serem honrados, como sempre aconteceu. Porém, através do decurso do tempo tornou-se hábito, a fuga às responsabilidades assumidas, mesmo as contratualizadas por escrito, o que levou à sua descredibilização. A confiança entre as pessoas foi minada de uma forma inexorável, e dessa maneira destruir-se um dos pilares fundamentais das relações humanas. Convém ainda salientar, que esta inversão de pensamento se deveu, entre outros factores, à crescente permissividade dos pais e outras classes de cidadãos, para com os filhos, fazendo com que quase tudo seja permitido,

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Solidariedade

Ao ler uma citação de Ludwig von Mises ( figura máxima da escola liberal austríaca ), em que ele defendia que o altruísmo não existia, uma vez que essa nossa predisposição, no fundo não passava de mais uma manifestação de egoísmo. No seu ponto de vista só se praticava a solidariedade para nos sentirmos bem com nós próprios, ou para mostrarmos aos outros, que também sabíamos pensar nos necessitados. Também por isso o nosso comportamento se tornava egoísta. Chocou-me, inicialmente, esta visão, onde todas as nossas acções se reduzem ao egoísmo. Mas reflectindo melhor sobre o tema, cheguei à conclusão, de que ele estava "quase" certo! A única limitação que descobri, prende-se com situações de emergência - salvar um ser humano, apagar fogos, por exemplo- em que surge o nosso instinto animal da sobrevivência, onde somos capazes de ir até onde a situação nos conduzir, sem fazermos caso da racionalidade do acto. Nessa altura sim, somos altruístas e solidários.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Religiosidade

Desde sempre que os homens, enquanto tais, tiveram necessidade de atribuir a uma entidade aquilo, que ainda não conseguiam explicar- fenómenos da natureza, acontecimentos inesperados a seus olhos, etc. Certos povos transferiram essa carência para várias divindades, outros, pelo contrário, agregaram-nas numa única. Daí se passou à adoração e mais tarde ao culto, o que implicava uma série de regras, ao mesmo tempo estabelecidas e aceites. Com o decurso do tempo, nasceram vários tipos de cultos religiosos em todas as regiões terrenas. Adquiriram dois caminhos distintos e opostos- uns,preferiam o bem,outros o mal. Assistiu-se também a uma interpenetração de objectos de culto e ritos entre algumas delas. Um dos casos mais significativos foi a adopção pela Igreja Católica de certos ritos, considerados pagãos, isto é, fora da esfera religiosa, mais próximos da cultura popular, com o fim de aproximar os crentes da sua influência. Quando falamos da Igreja Católica, não podemos ignorar o livro, que está na sua génese - a Bíblia - que continua a ser considerado o mais belo livro do mundo. A sua primeira parte, o Antigo Testamento, pertencente também ao culto judaico, narra a história acontecida antes do nascimento de Jesus Cristo. A segunda parte, o Novo Testamento, foi narrado pelos Apóstolos, seus discípulos, cuja missão consistia em espalhar pela terra a sua palavra, isto é, os seus pensamentos, as suas acções, o seu modo de proceder, em resumo o seu exemplo. Este livro é principalmente construído pelas mais diversas figuras de estilo, de tal modo fantásticas, que a sua leitura se torna um rodopio de interpretações, porque não representa apenas o que está escrito, encaminhando a leitura para o que se pode inferir, para o que se pode imaginar para além do relatado factualmente. Existe, porém, uma lacuna, que não posso deixar de apontar e que consiste na passagem a texto pelos citados discípulos, que pela sua origem social deveriam ser iletrados, e devido a tal facto terem transmitido a mensagem de modo oral, o que poderá ter dado origem a vários erros de interpretação. Em conclusão, todo o ser humano tem dentro de si uma religiosidade intrínseca, que se revela, ou que tal como a Bíblia se infere. Mesmo o ateu, o não crente, ao não acreditar está implicítamente a realçar a sua existência. Não quero crer, que se possa não acreditar sobre algo inexistente.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Literatura

Todos os meus próximos sabem como eu gosto de livros. Foi o hábito da leitura adquirido cedo e posteriormente o meu primeiro emprego numa livraria, que tornaram possível, esta minha paixão. Muitas pessoas não conseguem sentir, para além do exercício mental suscitado pelo livro em si, o prazer de folheá-lo, o seu cheiro característico, comparável ao que Miguel Sousa Tavares, numa das suas crónicas, apelidou de imbecis aos detractores da caça,ao ignorarem a sensação única de olfactar o cheiro matinal da terra húmida e das ervas nela existentes. Qual será o principal objectivo de qualquer escritor, pergunto eu. Só se reduz a um: ser lido e apreciado pelo maior número de leitores. Esta é, quanto a mim, a grande contradição na atribuição dos prémios Nobel e outros de carácter semelhante, que se regem por critérios discutíveis, promovendo quase sempre escritores menores ( excepção feita, nos últimos tempos a Mário Vargas Llosa ),esquecendo-se de grandes figuras do mundo literário, a bem do pensamento dominante, mas minoritário, de pseudo intelectuais.Caso paradigmático é sem dúvida nenhuma a do único prémio nobel da língua portuguesa, cujo laureamento atirou para fora nomes incontornáveis da Literatura nacional e brasileira, escolhendo ainda por cima,a quem não o merecia, tanto pela escrita e muito menos pelo seu vil comportamento ao longo de períodos da sua vida. Haverá boa e má literatura? Respondo claramente com um inequívoco "não"! Cada um de nós, singularmente, é que faz essa escolha. Podemos gostar de determinados autores, géneros, estilos, mas não devemos ignorar, que os outros escolhem de forma diversa da nossa. Agora tenho a certeza de que são poucos, ou muito poucos, os premiados que mais venderam as suas obras, em relação a um sem número de escritores considerados menores, mas que apesar de tudo chegam mais depressa ao coração dos seus leitores, do que os protegidos das elites pensantes. Continuação de boas leituras, vossas é claro!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sabedoria Popular

Não há coisa mais espontânea, genuína e verdadeira que a sabedoria popular. Trata-se da mais importante ligação ao costume, transmitida desde tempos imemoriais, de geração em geração, por via oral, não precisando por isso de ser reduzida a escrito. Foca todos os aspectos da vida quotidiana e da vida espiritual e existe em todos os países do mundo, sendo por tal facto universal e particular ao mesmo tempo. Todavia é sempre menosprezada pelas elites intelectuais, por aquelas que ao julgarem-se superiores aos outros membros da comunidade, vulgarmente chamados de povo, só revelam o seu complexo de inferioridade pela simples razão de serem incapazes de acertar no alvo. O seu leque de ditos vem à tona nos momentos mais propícios e por vezes quando menos os esperamos. Espanta a sua perspicácia e lucidez que nos deixa surpreendidos, por nos mostrar como sempre existiram respostas aos nossos actuais pensamentos e acções, vindos de membros da população menor instruída, mas mais vivida. E os homens continuam a querer ignorar, que não basta saber, mas aliar esse dom à prática. E muitas vezes sabem menos, os que pensam saber mais, do que aqueles que menos parecem saber, mas possuem o "calo" da experiência.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Imortalidade

Existe sempre solução para tudo, seja ela boa ou má. Com a única excepção da morte. É o fim que espera todos os seres vivos. Mas o ser humano,constitui um caso à parte, em virtude de através e por força da sua intelectualidade ter consciência do seu término.O nosso desaparecimento é simplesmente físico. Podemos continuar a viver por tempo indeterminado. Como assim? Interroga-se quem me lê. Enquanto qualquer pessoa, pela mais ínfima lembrança, a associar a outra, já desaparecida, ela mantém-se viva. Fica no que eu chamaria um "limbo", tal como acontece com a hibernação de certos animais, podendo reaparecer assim que vem à memória de alguém. Estes pressupostos deram origem à palavra imortalidade, para todos os humanos que estão constantemente a ser recordados pelos seus semelhantes.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sorte e Azar

Desde sempre que o homem, quando buscava resposta para o que não conseguia explicar, inventou palavras justificativas da sua impotência em relação a tal facto. As duas supra-citadas são o exemplo cabal disso, no seguimento da oposição sempre presente da dicotomia - negativo/positivo ; bem/mal . Em virtude desse facto necessitar das tais duas vertentes opostas, conforme a interpretação de cada um, se lhe era favorável seria "sorte",desfavorável "azar". Ora, para mim não existem. Vejamos então um caso pessoal e concreto - certo dia ao atravessar a pé a Avenida da República, em Lisboa, o sinal verde abriu, e depois de ter percorrido três das quatro faixas rodoviárias, de repente estaquei,mesmo a tempo de evitar ser colhido por um automóvel,que a grande velocidade desrespeitara o sinal vermelho. Dirão os leitores que tive muita sorte, quando o que se deveria dizer, seria tão só, que eu não dei o passo,que talvez me levasse à morte. Ainda outro exemplo simples ilustrativo da posição que cada toma, face a determinado facto : quando no futebol,ou outro desporto, a bola bate no poste e não entra,os adeptos da equipa rematadora, gritam azar e os da defensora sorte. Simplesmente o que se verificou foi que a bola não entrou por ter batido no poste! É esta a minha tese e convido-vos a mostrarem-me a antítese.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Igualdade

Ontem antes de adormecer, o vulcão de ideias erráticas conduziu-me à palavra igualdade. George Orwell,no seu magnífico livro "O Triunfo dos Porcos " dizia que os homens nascem iguais,mas há sempre uns mais iguais do que outros. Constatação indiscutível e intemporal,uma vez que sempre assim foi e será - está no ADN do ser humano. Mas ele referia-se particularmente à esfera político-económica e dentro do contexto do seu tempo, apesar de ter uma visão futurista, porque a intenção do livro era atingir um dos mais abomináveis ditadores do mundo e o sistema que o levou ao poder- Estaline. Tendo ainda consciência, de que apesar de iguais na origem,somos todos diferentes, a última pedra da erupção foi chegar à conclusão, de que a mais forte possibilidade de ter um comportamento igualitário está no tratamento. Só se pode chegar a esse modelo desejado tratando os outros de maneira igual ( como explicou Morgan Freeman num programa da televisão americana, a sua forma de acabar com o racismo seria apenas o tratamento pelo nome ). Para tal deve-se eliminar os tiques de superioridade, que estão na origem das várias desigualdades.